A discussão sobre a “pejotização” — contratação de profissionais como pessoa jurídica para evitar vínculo empregatício — voltou ao centro do debate jurídico após a audiência pública realizada pelo Supremo Tribunal Federal no último dia 6. O tema reacende um ponto sensível do ambiente empresarial: o equilíbrio entre liberdade econômica e responsabilidade social.
Sob a ótica do Direito Empresarial, o desafio não está em negar a inovação nas relações de trabalho, mas em distinguir o legítimo empreendedorismo da simulação de autonomia.
Empresas que transformam relações celetistas em contratos de prestação de serviços correm o risco de ver seus modelos desmoronarem diante de ações trabalhistas, autuações previdenciárias e danos reputacionais irreversíveis.
Mais do que uma questão legal, a pejotização desestrutura o ecossistema que sustenta a competitividade empresarial. Quando o sistema de seguridade social é fragilizado, os impactos recaem também sobre o empregador — aumento de contribuições futuras, perda de equilíbrio no mercado e insegurança nas relações contratuais.
Para o meio corporativo, o caminho não é a informalidade, mas a construção de modelos sustentáveis, que unam eficiência, segurança jurídica e valorização das pessoas.
Práticas de compliance trabalhista, revisão contratual e governança nas relações laborais não apenas previnem passivos: refletem compromisso ético e responsabilidade social.
Em um cenário em que a competitividade é usada como justificativa para a flexibilização extrema, cabe às empresas decidirem de que lado da história desejam estar — o da conveniência imediata ou o da solidez a longo prazo.
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